Maria da Conceição Passeggi, Gilcilene Nascimento & Senadaht Rodrigues
O objetivo do texto é discutir procedimentos de análise de narrativas de crianças, de 6 a 12 anos de idade, sobre suas experiências em escolas
na zona rural, na periferia urbana e em classes hospitalares, no Nordeste brasileiro. As pesquisas nesses três contextos integram projetos mais
amplos, financiados pelo CNPq-Brasil, e se propõem a investigar os sentidos construídos, narrativamente, pelas crianças sobre a
escola. Inicialmente, situaremos, as narrativas autobiográficas como método da pesquisa qualitativa em educação, na interface da pesquisa
(auto)biográfica e da Psicologia cultural. Em seguida, apresentamos uma breve descrição do protocolo comum utilizado e discutiremos os
desafios encontrados na constituição do corpus e nas opções de análise. Os achados da pesquisa revelam a incidência do contexto sociocultural
sobre os modos de experienciar o mundo escolar, desmitificando, por vezes, a oposição entre o rural e urbano, demostrando a força da
violência das periferias urbanas sobre a escola, mas perspectivando também a escola como símbolo de refúgio e de retorno à vida. Do ponto
de vista teórico, a análise evidencia os desafios exigidos para preservar a visão de mundo das crianças, corrobora as potencialidades heurísticas
e hermenêuticas de suas narrativas e indica aproximações significativas para a análise da palavra da criança para a pesquisa qualitativa em
Educação.