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O Movimento (Auto)Biográfico no Brasil: Esboço de suas Configurações no Campo Educacional

Grupo de Interés Especial en Investigación Cualitativa en Español y Portugués – Vol 2, No 1 (2017)

Maria da Conceição Passeggi, Elizeu Clementino de Souza

O presente artigo tem por objetivo discutir as principais abordagens e possibilidades do movimento autobiográfico no Brasil, no âmbito educacional. O trabalho está organizado em três etapas, a saber: 1) apresentar os princípios epistemológicos que norteiam a pesquisa (auto)biográfica brasileira; 2) faremos um breve sobrevoo histórico referente ao período de 1990-2016; e, 3) apresentamos uma síntese das diferentes edições do Congresso Internacional de Pesquisa (Auto)Biográfica (CIPA), que vem se realizando a cada dois anos, desde 2004. O foco no CIPA deve-se ao fato de se tratar de um fórum internacional de pesquisadores e um espaço privilegiado para discussões e avaliação do progresso e dos desafios do movimento (auto)biográfico internacional, cuja finalidade é incentivar mais pesquisas e orientações teóricas e metodológicas nessa área. Nesse sentido, concluimos admitindo que existem novas áreas de investigação científica educacional no Brasil, que superam modismos e instalam amplas aberturas para outras áreas do conhecimento nas Ciências Humanas e Sociais, o que pode ser visto no aumento da interação entre pesquisadores e entre suas redes de cooperação e pesuisa no plano internacional.

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Voyager pour se former : les traces d’un nomadisme éducatif au Brésil

Parution n°211 – 2017-2 – Voyage, mobilité et formation de soi PASSEGGI, Maria da Conceição 

Les voyages, de même que les migrations (subies ou choisies) sont des occasions d’apprendre, de se former et de se professionnaliser, grâce à la rencontre interculturelle, à l’épreuve de l’étrange et à l’accueil de l’altérité. Ce dossier explore les acquis expérientiels du voyage et les processus de formation de soi, les dispositifs de formation par le voyage et le type d’expérience qu’elles rendent possibles. Il existe de multiples manières de voyager, comme il existe de nombreuses manières de se former : en s’engageant dans des voies nouvelles, des cheminements, des déplacements, des traversées, qui constituent des formes de dépaysement. Réciproquement, le déplacement physique et l’immersion dans l’ailleurs s’accompagnent de mouvements intérieurs, qui préfigurent des modifications et des transformations de soi, dans ses manières de voir, de faire, d’habiter le monde… Les dimensions formatrices du voyage sont pensées ici selon des perspectives plurielles : dans le cours de la vie, dans les ingénieries de formation, au sein des institutions, dans les parcours académiques…

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Narrativas de crianças sobre a escola: desafios das análises

Maria da Conceição Passeggi, Gilcilene Nascimento & Senadaht Rodrigues

O objetivo do texto é discutir procedimentos de análise de narrativas de crianças, de 6 a 12 anos de idade, sobre suas experiências em escolas
na zona rural, na periferia urbana e em classes hospitalares, no Nordeste brasileiro. As pesquisas nesses três contextos integram projetos mais
amplos, financiados pelo CNPq-Brasil, e se propõem a investigar os sentidos construídos, narrativamente, pelas crianças sobre a
escola. Inicialmente, situaremos, as narrativas autobiográficas como método da pesquisa qualitativa em educação, na interface da pesquisa
(auto)biográfica e da Psicologia cultural. Em seguida, apresentamos uma breve descrição do protocolo comum utilizado e discutiremos os
desafios encontrados na constituição do corpus e nas opções de análise. Os achados da pesquisa revelam a incidência do contexto sociocultural
sobre os modos de experienciar o mundo escolar, desmitificando, por vezes, a oposição entre o rural e urbano, demostrando a força da
violência das periferias urbanas sobre a escola, mas perspectivando também a escola como símbolo de refúgio e de retorno à vida. Do ponto
de vista teórico, a análise evidencia os desafios exigidos para preservar a visão de mundo das crianças, corrobora as potencialidades heurísticas
e hermenêuticas de suas narrativas e indica aproximações significativas para a análise da palavra da criança para a pesquisa qualitativa em
Educação.

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As narrativas autobiográficas como fonte e método de pesquisa qualitativa em Educação

Maria Passeggi, Gilcilene Nascimento & Roberta de Oliveira

Apresentamos reflexões sobre as narrativas autobiográficas como fonte e método de investigação científica privilegiados para a pesquisa qualitativa em
Educação. Situamo-nos na perspectiva da Pesquisa (Auto)biográfica e da Psicologia Cultural para discutir procedimentos por nós utilizados em pesquisas
financiadas pelo CNPq, realizadas e em andamento, em diversos contextos educacionais. O eixo comum entre elas são os sentidos elaborados, narrativamente,
por crianças sobre suas experiências na escola e por professoras sobre suas
experiências em classes hospitalares. Focalizaremos dois desses procedimentos: as rodas de conversa com crianças e as entrevistas narrativas autobiográficas com as professoras em ambiente hospitalar. Procuraremos evidenciar os
aportes do uso das narrativas autobiográficas (orais) com relação ao rigor da
ética na pesquisa qualitativa e como forma de propiciar melhores condições
de reflexão na recolha das narrativas que constituirão os dados da pesquisa. Os
resultados vão no sentido do reconhecimento da palavra da criança e do adulto como sujeitos de direitos, capazes de narrar e refletir sobre suas próprias
experiências e de contribuírem para os avanços teóricos e metodológico da
pesquisa qualitativa em Educação.

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Narrativas da infância: a escola no mundo urbano e no mundo rural

Maria da Conceição Passeggi, Gilcilene Lélia Souza do Nascimento e Vanessa Cristina Oliveira da Silva

Este artigo tem como objetivo refletir acerca do sentido da escola para crianças de 6 a 12 anos de idade. A pesquisa foi realizada em dois cenários: em uma escola da periferia urbana e em uma escola da zona rural, recorrendo a um protocolo comum. Em uma roda de conversa, as crianças falam da escola para um pequeno alienígena que vem de um planeta que não tem escolas. As narrativas das crianças da periferia urbana evidenciam a escola como lugar de violência tão presente em suas vidas. As crianças da zona rural narram a respeito da importância da escola enquanto lugar de convivência e alternativa para mudanças de vida. Essas narrativas da infância nos ajudam a compreender as singularidades da escola em cada contexto, ressaltando o sentido desses espaços de acolhimento da infância para as próprias crianças.

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(CON)VIVER COM O ADOECIMENTO: NARRATIVAS DE CRIANÇAS COM DOENÇAS CRÔNICAS

Maria da Conceição Passeggi, Simone Maria da Rocha e Luciane De Conti

O que dizem as crianças com doenças crônicas sobre suas formas de (con)viver com tratamentos prolongados e dolorosos? O que revelam, narrativamente, sobre sua capacidade de reflexão, aprendizagens e superação diante do adoecimento? Este artigo discute resultados de pesquisas desenvolvidas na perspectiva da pesquisa (auto)biográfica com crianças em duas situações: no hospital e em clínicas onde fazem tratamento quimioterápico. Descrevemos os procedimentos de interlocução com as crianças como parte importante da ética em pesquisa, ressaltando que uma abordagem lúdica lhes propicia uma situação de maior espontaneidade e de construção narrativa de si. As análises revelam, por um lado, o aporte do método de pesquisa utilizado para compreender os modos como as crianças convivem com uma doença crônica desde a tenra idade, e, por outro, que contrariamente à figura de “paciente”, elas descortinam suas aprendizagens experienciais no convívio com os tratamentos, o que permite concluir sobre sua capacidade de reflexão, entendimento, e potencialidades de ação em que se ressaltam formas de cooperação e de resistência.

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